Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mormons)

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O seguinte é verdadeiro. Os membros negros da Igreja Mórmon não podiam portar o sacerdócio até o ano de 1978. Entretanto, o que se segue também é verdadeiro.

A Igreja Mórmon (cujo nome oficial é A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) não é uma igreja racista. Desde o seu começo, a Igreja pregava os direitos iguais, indiferente da raça do membro. O fundador e primeiro profeta da Religião Mórmon, Joseph Smith, disse o seguinte a respeito da escravidão: “Faz o meu sangue ferver dentro de mim refletir sobre a injustiça, crueldade e opressão de pessoas que controlam pessoas. Quando essas coisas cessarão sua existência e a constituição e a lei novamente terão o controle das regras?” 1.

Mais tarde, Joseph Smith veio a se candidatar a presidente, tendo o programa anti-escravidão como um de seus planos de governo. Ele não via nenhuma diferença entre negros e brancos a não ser escravidão e a falta de escravidão. De fato, ele disse: “[Negros] vieram para o mundo como escravos tanto mentalmente quanto fisicamente. Mude sua situação para com os brancos e eles serão exatamente como eles.”2

Portanto, a Igreja recusa tratar os negros como propriedade desde o começo. Foi pedido aos proprietários de escravos que se filiavam a Igreja para dar àqueles escravos o direito de escolher a liberdade. Depois que a Igreja se mudou para Utah, eles removeram as palavras “livre”, “branco” e “masculino” da constituição de requerimentos para votar  3. Foi então permitido aos Mórmons negros votar antes mesmo dos negros dos Estados Unidos. Infelizmente eles perderam esse direito quando Utah se uniu aos Estados Unidos.

Mas embora negros fossem membros da Igreja desde o começo, eles não podiam portar o sacerdócio ou receber a plenitude das ordenanças dos Templos Mórmons senão até 1978. Por quê? Isso não é bem claro. Em nenhum tempo o Senhor baniu especificamente os membros negros do sacerdócio, mas Ele também não ordenou que fosse dado à eles (os membros negros) quando eles não o portavam. Devemos ser bastante cautelosos ao tentar entender o porquê isso existiu, embora pessoas sempre tenham as suas teorias. Por exemplo, alguns acreditam que os negros não podiam portar o sacerdócio por causa da poderosa atmosfera racista que existia nos Estados Unidos naquela época e que os outros membro da Igreja não estavam preparados, mas não se sabe ao certo. Sem as palavras do Senhor referente aos porquês da questão, nós não podemos ter certeza.

Novamente, os negros puderam receber o sacerdócio em 1978, especificamente no dia 08 de junho. O então Presidente da Igreja, Spencer W. Kimball, pensou bastante sobre os membros negros da Igreja e o sacerdócio. Ele perguntou ao Senhor se os Mórmons negros poderiam portar o sacerdócio e receber todas as bênçãos que outros membros da Igreja tinham. A resposta do senhor foi a seguinte: “todo membro do sexo masculino digno da Igreja pode ser ordenado ao sacerdócio sem restrição de raça ou cor” 4. Os Mórmons negros hoje podem portar o sacerdócio e participar das ordenanças dos templos Mórmons.

A Igreja não é uma instituição racista. Isso não quer dizer que os membros ou até mesmo os líderes jamais tenham dito coisas que são racistas ou que não tenham tido idéias racistas. A Igreja Mórmon, como toda igreja ou grupo de pessoas, é cheio de seres humanos falhos. E os líderes e membros da Igreja Mórmon foram, em um grau maior ou menor, produtos do seu tempo, ou seja, cresceram com idéias existentes de suas épocas. Eles não estavam imunes de acreditar em coisas que outras pessoas de seu tempo acreditavam – e o mundo do século dezenove e metade do século vinte era plenamente racista. Mas precisamos nos lembrar que a Religião Mórmon é professada por pessoas imperfeitas – e que a Igreja em si nunca professou oficialmente essas idéias racistas e professa contra elas hoje em dia.

Hoje em dia existem três templos Mórmons na África e a Igreja tem centenas de milhares de membros negros naquela região. Presidente Gordon B. Hinckley redeclarou que nos precisamos amar uns aos outros, apesar das diferenças. “Que não haja nenhuma animosidade entre vocês, mas apenas amor, indiferente de raça, e indiferente de circunstancias. Que possamos amar uns aos outros como o Senhor gostaria que fizéssemos”. 5

(1) Joseph Smith. História da Igreja. 5:217-218
(2) Joseph Smith. Carta do Profeta para John C. Bennett – Na correspondência dos Bennetts Contra Escravidão. História da Igreja, 4:544
(3) Times and Seasons, vol. 1 número12, out. 1840.
(4) Doutrina & Convênios. Declaração Oficial 2.
(5) Gordon B. Hinckley, “Pensamentos Inspiradores”, Ensign, junho 2004, 3.

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